Atendimento odontológico durante a pandemia: o que fazer?

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A pandemia de Covid-19 modificou a rotina de trabalho em todo o mundo, incluindo a de profissionais de saúde. Embora um bom dentista sempre implemente regras rígidas de higiene em seu consultório, o atendimento odontológico durante o coronavírus precisou reforçar e fazer algumas adaptações no seu protocolo de biossegurança. Mas o que fazer? Como trazer ainda mais proteção em uma consulta ou tratamento, que exige contato tão próximo entre profissional e paciente?

Neste texto, você vai saber como o atendimento odontológico deve ser feito durante a pandemia causada pelo novo coronavírus, com recomendações feitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Atendimento odontológico durante o coronavírus: recomendações da Anvisa e do Ministério da Saúde

O Sars-CoV-2 é um vírus transmitido por via respiratória, que contamina normalmente pelo contato entre as pessoas ou em superfícies contaminadas pelo vírus, principalmente por fluidos e secreções da boca e do nariz. Mas o problema é que, além do contato próximo entre paciente e profissional, certos procedimentos odontológicos formam gotículas e aerossóis no ambiente. 

Ademais, é inviável realizar exames de diagnóstico da Covid-19 antes do atendimento e muitos dos indivíduos contaminados não apresentam sintomas. Por fim, as glândulas salivares são importantes reservatórios do coronavírus. Assim, é essencial estabelecer padrões de segurança com todos que entrarem no consultório.

Pensando no alto teor de contágio do ambiente, a Anvisa estabeleceu algumas recomendações para o atendimento odontológico seguro durante a epidemia de Covid-19. Essas atualizações ocorreram na Nota Técnica GVIMS/GGTES/Anvisa Nº 04/2020 — a última em 8 de maio — e na nota técnica Nº 16/2020-CGSB/DESF/SAPS/MS (versão atualizada da Nota Técnica nº 9/2020). Confira:

Priorização dos atendimentos

No final de março, o Ministério da Saúde (MS) recomendou a suspensão de atendimentos eletivos (que podem ser feitos posteriormente), liberando apenas os de urgência e emergência.

Quando possível, estabelecer via de contato (por telefone ou outros meios digitais) para identificar quais são os casos de urgência e emergência.  Já sobre o fluxo de atendimento, devem ser observadas questões de triagem prévia ao atendimento. Cabe, então, ao gestor considerar os aspectos locais e adaptar o fluxo de atendimento conforme sua condição epidemiológica assim como as características do serviço.

Anamnese

A realização da anamnese deve ocorrer em um espaço arejado, com pouca ou nenhuma circulação de pessoas. Então, entre no consultório odontológico somente no momento da realização do procedimento. 

Protocolos e higiene

A Covid-19 vai mudar os hábitos de higiene da população e reforçar os protocolos de segurança dos odontologistas. Portanto, é essencial ter atenção aos procedimentos de limpeza e desinfecção das superfícies, considerando os mais recentes estudos, que demonstram a permanência do coronavírus de 2 a 9 dias nas diversas superfícies (quando não limpas com desinfetante ou álcool 70), em temperatura ambiente. 

A instituição de protocolos, normas e rotinas é uma das principais práticas seguras nos odontológicos, pois oferece segurança física e psicológica aos profissionais e pacientes.

Por fim, a Anvisa tem uma nota técnica — nº 01/2018 — para a higienização das mãos em serviços de saúde.

atendimento odontológico durante o coronavírus

Intervalos 

Em um dia de atendimento, o intervalo entre uma consulta e outra deve ser maior para dar tempo à adequada descontaminação dos ambientes. Além disso, nas salas de espera, as cadeiras devem ser dispostas com pelo menos 1 metro de distância entre si e, em grandes espaços, coloque avisos sobre distanciamento nelas, de forma intervalada.

Acompanhantes

Os pacientes só podem levar acompanhante em casos de urgência ou obrigatoriedade (por exemplo, pacientes pediátricos, pessoas com necessidades especiais  e idosos). De qualquer forma, apenas um indivíduo poderá acompanhá-lo, e deve permanecer com máscara cirúrgica.

Equipamentos de proteção individual (EPI)

O uso de EPI completo é obrigatório para todos os profissionais presentes no ambiente clínico:

  • capote ou avental de mangas longas e impermeável (estrutura impermeável e
  • gramatura mínima de 50 g/m2);
  • óculos com protetores laterais sólidos;
  • máscara N95/PFF2 ou equivalente;
  • gorro descartável;
  • protetor facial;
  • luvas.

Radiografias

Quando necessário, dê preferência a radiografias extrabucais, como raio-X panorâmico ou TC cone beam. Caso precise de radiografias intrabucais proceda com cuidado para evitar o estímulo da salivação e tosse. Assim, adote todas as medidas de proteção recomendadas para precauções para aerossóis, contato, prevenção e controle de infecção.

Substâncias antimicrobianas

Os bochechos orais e seu impacto na diminuição de micro-organismos no pré-atendimento odontológico têm sido estudado por diversos especialistas, mas não há consenso sobre seu impacto na redução da carga viral e/ou diminuição da contaminação dos profissionais que o utilizam.

Pondera-se sobre o risco do uso de peróxido de hidrogênio de forma indiscriminada pela possibilidade de potencializar, em conjunto com outras substâncias, o desenvolvimento de lesões pré-cancerígenas ou cancerígenas. Portanto, recomenda-se cautela e uso somente com a supervisão do profissional com base em evidência científica e indicação clínica, não sendo indicado o uso doméstico pelo paciente. 

Atividades à população

As atividades coletivas relacionadas à saúde bucal, como campanhas de atendimento à população, devem ser evitadas. Assim, evitam-se aglomerações com alto potencial para a propagação do coronavírus.

No entanto, os profissionais podem auxiliar informando a população sobre a forma de atendimento e precauções a serem observadas. 

Descarte

Todos os resíduos provenientes da assistência odontológica devem ser enquadrados na categoria A1 da Resolução RDC/Anvisa nº 222, de 28 de março de 2018.

Quando o paciente deve procurar atendimento odontológico durante o coronavírus?

Existem momentos em que não é possível adiar o tratamento. Mas quais seriam esses? Veja quando o atendimento odontológico durante o coronavírus é inevitável:

  • abscessos de origem dentária ou periodontal que estejam resultado em dor localizada e inchaço do rosto ou da gengiva; 
  • dor de dente aguda, de forma espontânea ou durante a alimentação, causada por inflamações da polpa dentária;
  • ajuste, troca ou remoção do fio ou dos braquetes do aparelho fixo que estejam machucando a boca;
  • finalização do tratamento odontológico para dar início ou continuidade a um tratamento médico;
  • ajuste de próteses dentárias que estejam causando dor ou dificuldade de alimentação;
  • dor relacionada a processos infecciosos envolvendo os terceiros molares;
  • trauma dentário com movimentação ou perda do dente;
  • fratura de dente que provoca dor ou machuca a boca;
  • dor onde foi realizado tratamento de canal;
  • cárie extensa ou restaurações doloridas;
  • sangramento frequente de gengivas;
  • infecção após remoção dentária;
  • gengiva ou rosto inchado.

Quais são os procedimentos não classificados como urgentes para o atendimento odontológico durante o coronavírus?

  • cirurgias eletivas, como extração de dentes, cirurgias periodontais sem sintomas, implantes e ortognática;
  • consulta de rotina ou de manutenção, como profilaxia e radiografias;
  • procedimentos ortodônticos em regiões sem dor, infecção ou trauma;
  • restauração em lesões com cáries sem sintomas;
  • procedimentos estéticos.

Você já implementou alguma dessas recomendações de atendimento odontológico durante o coronavírus? Para tal, é necessário gerenciamento. Então, confira dicas para uma gestão eficiente da sua clínica!

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