Desgaste interproximal: indicações e implicações

O alinhamento dentário correto, assim como a sua estabilidade, representam objetivos importantes no tratamento ortodôntico dos pacientes. O desgaste interproximal é uma técnica que pode ser usada nesse sentido.

A realização dos desgastes é frequentemente indicada, mas existem questionamentos sobre as técnicas e condições pós-tratamento.

Os pesquisadores Osmar Aparecido Cuoghi, Rodrigo Castellazzi Sella, Fernanda Azambuja Macedo e Marcos Rogério de Mendonça, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), realizaram uma pesquisa sobre o tema.

Eles desenvolveram uma pesquisa bibliográfica para, com base na literatura, conhecer os principais fatores envolvidos, como as indicações e implicações, do desgaste interproximal.

Acompanhe, nos tópicos a seguir, um resumo das conclusões a que os pesquisadores da Unesp chegaram.

Sobre o desgaste interproximal

O desgaste interproximal tem sido documentado ao longo dos anos e teve grande destaque a partir da década de 1980, quando Sheridan e Ledoux escreveram artigos sobre o tema.

Atualmente, os desgastes tornaram-se comuns, por meio do estabelecimento de uma alteração da anatomia dos contatos proximais, tanto para eliminar problemas de apinhamento e discrepância de tamanho dentário, quanto para aumentar a estabilidade dos arcos dos dentes.

Resumidamente, o desgaste interproximal consiste em uma espécie de raspagem nos dentes dos pacientes. Assim, eles ficam mais finos e podem ser ajustados, ficando mais harmônicos e esteticamente bonitos.

O desgaste também é realizado para a realização de procedimentos como a colocação de lentes de contato dental. Esse tratamento tem se tornado bem conhecido, principalmente por estar muito em evidência entre as personalidades da mídia.

O cantor Kevinho, por exemplo, causou espanto em seus fãs, recentemente, quando compartilhou em suas redes sociais fotos dos seus dentes desgastados. Ele se submeteu à técnica para posteriormente colocar lentes de contato e ficar com um sorriso bem harmônico.

desgaste interproximal
Foto: Reprodução/Instagram

Indicações e implicações do desgaste interproximal

O procedimento de desgaste interproximal, conforme explicamos, está se tornando cada vez mais conhecido. Porém, é importante entender que essa abordagem não está indicada para a correção de casos de apinhamento severo.

Tampouco, há consenso entre os dentistas e pesquisadores sobre as implicações e indicações do desgaste interproximal. Há quem diga que, se a técnica for usada de maneira exagerada, o paciente poderá ter problemas sérios, envolvendo a estrutura óssea e das arcadas dentárias.

Por isso, é importante que os dentistas realizem exames de imagem nos pacientes, para que se possa conhecer as características de cada um deles. Assim, é possível verificar até que ponto os dentes podem ser desgastados para finalidades estéticas. 

Recursos usados para a realização de desgastes interproximais

Vários métodos são utilizados para realização do desgaste. Entre eles, os mais citados são a lixa de aço para amálgama, a ponta diamantada montada em alta rotação, o disco de lixa unifacetado e as brocas de tungstênio multilaminadas com 8 lâminas retas.

Os dentistas devem analisar as condições de cada paciente, assim como os prós e os contras de cada técnica. Dessa forma, fica mais simples para escolher a melhor abordagem para ser adotada em cada paciente.

Conclusões do estudo da Unesp

O estudo feito pelos pesquisadores da Unesp concluiu que o desgaste interproximal pode ser realizado para correção da falta de proporcionalidade dentária, ou seja, casos que apresentam discrepância.

Além disso, constitui uma alternativa para os casos com apinhamentos moderados de até 2mm para dentes anteriores e 4mm para dentes posteriores, sendo 2mm para cada hemiarco.

Os cientistas também concluíram que, independentemente da técnica utilizada para realização do procedimento, seja com tiras de lixa de aço, discos, pontas diamantadas ou brocas carbide, o fator diferencial para o sucesso do tratamento está na indicação correta e na execução de polimento com discos de polimento finos e ultrafinos após o desgaste, para reduzir as ranhuras provocadas pelo procedimento. 

Além disso, de acordo com os pesquisadores, a baixa susceptibilidade a cáries, assim como a higienização interproximal adequada, constituem fatores primordiais para a indicação dos desgastes.

A saúde dentária e periodontal podem ser preservadas por meio do desgaste interproximal, desde que os limites biológicos sejam respeitados, o que implica em não ultrapassar o limite de aproximadamente 0,25mm de desgaste em cada face de esmalte proximal dos dentes anteriores e 0,5m para os posteriores.

Conhecer mais sobre o procedimento de desgaste interproximal é bem interessante para os dentistas, que podem verificar os casos em que o uso dessa técnica seja útil.

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